sexta-feira, 2 de julho de 2010

Internet é direito garantido na Finlândia

Finlandeses passam a ter acesso a banda larga garantido por lei


Lei que entrou em vigor neste 1º de julho determina que todo cidadão do país tem direto à conexão à internet de 1MB por segundo.

BBC

Nós consideramos o papel da internet na vida dos finlandeses. Serviços de internet não têm mais a função de apenas entreter", Suvi Linden, ministra das Comunicações da Finlândia

A Finlândia tornou-se o primeiro país do mundo a decretar que o acesso a banda larga é um direito básico de seus cidadãos. A partir desta quinta-feira (1º), todo finlandês terá, por lei, assegurado o direito de acessar a internet a uma velocidade mínima de 1 megabit por segundo.

O país se comprometeu a conectar toda a população a uma velocidade de 100 megabits por segundo até 2015. Na Grã-Bretanha, o governo prometeu à população uma conexão de até 2 Mb por segundo até 2012, mas o acesso não é garantido por lei. A lei finlandesa obriga todas as empresas de telecomunicação do país a oferecer o serviço aos residentes.

Saiba mais

Compare a banda larga brasileira com a do resto do mundo
Em entrevista à BBC, a ministra das Comunicações da Finlândia, Suvi Linden, explicou a lógica por trás da legislação: "Nós consideramos o papel da internet na vida dos finlandeses. Serviços de internet não têm mais a função de apenas entreter. A Finlândia trabalhou duro para desenvolver uma sociedade informatizada e dois anos atrás percebemos que nem todos tinham acesso", ela disse.

As autoridades do país estimam que 96% da população já tenha acesso à internet. Na Grã-Bretanha, o índice seria de 73%. Uma pesquisa feita pela BBC no início do ano revelou que uma em cada cinco pessoas no mundo consideram o acesso à internet um direito fundamental.

quinta-feira, 1 de julho de 2010

Encontro define prioridades pós-Confecom

Reproduzo artigo de Márcia Xavier, publicado no sítio Vermelho:

Para retomar a mobilização que marcou a 1a Conferência Nacional de Comunicação (Confecom), realizada no final do ano passado em Brasília, entidades da sociedade civil realizarão, nesta quinta-feira (1o), na Câmara dos Deputados, o seminário "Pós-Confecom: uma contribuição ao debate sobre propostas e ações prioritárias". O objetivo é definir ações prioritárias e plano de ação na conjuntura posterior à Conferência Nacional de Comunicação.

O presidente do Centro de Estudos da Mídia Alternativa Barão de Itararé, Altamiro Borges, que participa do evento, destacou como principal desafio a retomada da mobilização, lembrando que “terminada a conferência houve letargia e dispersão e os ‘barões da mídia’, que boicotaram a conferência - das oito entidades patronais, seis abandonaram o evento -, não ficaram parados e estão fazendo carga pesada contra o governo.”

Ele citou o caso da instalação do Conselho Nacional de Comunicação, cujo decreto já estava pronto e que foi adiada para o próximo governo. Segundo Miro Borges, esse recuo é resultado da falta de pressão das entidades sociais. “Daí a importância dessa plenária de amanhã”, ressalta.

A ideia da atividade é reunir militantes das organizações da sociedade civil e movimentos sociais interessados em contribuir com o debate pós-Confecom para definir as propostas fundamentais entre as 633 aprovadas na Confecom que devem ser priorizadas. E definir linhas de atuação conjunta ainda para este ano.

Miro Borges adianta que entre os pontos prioritários já definidos nos debates realizados nos estados estão a melhoria e aprovação do Plano Nacional de Banda Larga, a instalação do Conselho Nacional de Comunicação e a regulamentações dos artigos da Constituição que se refere a comunicação.

Entre os artigos que devem ser regulamentados, Miro Borges faz referência a regulamentação das concessões de rádios e TVs. Ele diz que é preciso proibir o monopólio, que caracteriza a realidade atual no Brasil, onde meia dúzia de famílias detém a maioria dos veículos de comunicação. “Só se concede para quem já tem”, afirma, criticando ainda a falta de transparência no processo de concessões: “O cadastro não é público”.

No plano de ação, Miro Borges também já adianta o teor da discussão, dizendo que a ideia é fazer os movimentos sociais interferirem na campanha eleitoral, com definição das plataformas para o setor da comunicação e comprometimento dos candidatos com essas plataformas.

A entidade presidida por Miro Borges nasceu após a realização da Confecom, quando ficou clara a necessidade de construção de uma militância social, permanente e aguerrida nesta frente estratégica da batalha de idéias. Em parceria com muitas outras entidades já existentes, o Centro de Estudos da Mídia Alternativa Barão de Itararé contribui na luta pela democratização dos meios de comunicação e pelo fortalecimento da mídia alternativa.

quarta-feira, 30 de junho de 2010

A fonte da juventude

MULHERES EM RISCO


A perigosa busca pela magia instantânea

Por Ligia Martins de Almeida em 29/6/2010

Enquanto parte da mídia – especialmente as revistas dedicadas às celebridades – continuar divulgando lipos e implantes como conquistas, as mulheres vão continuar atrás da solução mágica para suas insatisfações pessoais. Esse tipo de mídia, aliada a profissionais inescrupulosos, acaba induzindo suas leitoras a procurar a magia instantânea, como mostrou a Folha de S.Paulo na matéria "Médicos fazem parcerias com famosas para divulgar clínicas":

"Quando Mirella Santos, modelo, ex-participante do programa A Fazenda e atual mulher do cantor Latino, trocou as próteses de silicone dos seios, um fotógrafo acompanhou cada passo. A moça, maquiada e sempre sorridente, foi fotografada ao se preparar para a cirurgia, ao ser medicada e enquanto o cirurgião plástico fazia a incisão em seu corpo. `Achei bacana. Pelo menos eu dou um moral também para o médico´, diz ela.

O médico em questão é Ricardo Cavalcanti Ribeiro, que aparece abraçado com ela em parte das fotos. A operação, segundo Mirella, foi fruto de um acordo com o cirurgião plástico. `A gente fez uma parceria, né? Afinal, eu também estava divulgando o nome dele.´ Parcerias como essa estão cada vez mais comuns. Enquanto o médico entra com o bisturi, a celebridade entra com a propaganda na mídia. A cirurgia de Mirella, segundo o médico, saiu de 30% a 40% mais barata. E as fotos foram bastante publicadas" (Folha de S.Paulo, 27/06/2010).

As mortes após cirurgia plástica, especialmente lipoaspirações, têm sido notícia de dois anos para cá. Sempre envolvendo mulheres. Os jornais de domingo voltaram ao assunto, para discutir, desta vez, a atuação dos médicos.

73% das cirurgias plásticas são estéticas
O Estado de S. Paulo traz uma matéria alertando para os riscos da anestesia, fazendo uma importante denúncia: a de que, por economia, a consulta prévia com o anestesista é eliminada antes de algumas cirurgias plásticas:

"A maioria dos pacientes de uma cirurgia plástica se preocupa sempre com o preço, às vezes com a expertise do médico e quase nunca com a anestesia. Se o que determina o sucesso do procedimento do ponto de vista estético é a habilidade do cirurgião, cabe ao anestesista – ou anestesiologista, como eles preferem ser chamados – a tarefa mais importante: fazer com que o paciente saia, além de mais bonito, vivo da mesa de operação. Uma das formas que o mercado usa para enxugar o custo é eliminar etapas importantes de avaliação médica, como a consulta com o anestesista, profissional que o paciente encontra só na mesa de cirurgia" (O Estado de S.Paulo, 27/06/2010).

O professor Irimar de Paula Posso (da Faculdade de Medicina da USP), entrevistado pelo jornal, diz: "Estou cansado de ouvir casos de pacientes que morrem na mesa de operação. Toda cirurgia tem um risco, mas quando o procedimento é muito barato, alguma coisa foi deixada de lado."

O custo menor das cirurgias – que o jornal não discute – é, certamente, o responsável pelos números apresentados no box da matéria: 73% das cirurgias plásticas feitas no país são estéticas e apenas 27% são reparadoras, segundo a SPCB. Das cirurgias estéticas, 21% são para implante de prótese mamária; 20%, lipoaspirações e 15%, abdome.



Atrás de soluções mágicas
Ao mostrar aos leitores os riscos envolvidos nos vários tipos de anestesia e dar a palavra a médicos para dizer por que preferem um tipo ou outro, o jornal presta um bom serviço. Mas ainda fica devendo: seria preciso discutir o assunto em termos mais simples e diretos e mostrar aos leitores – especialmente às mulheres, a grande maioria das pacientes desses procedimentos – a relação custo-benefício destas cirurgias. Por quanto tempo elas vão continuar com o corpo sonhado – sem barriga, peito perfeito etc. etc? Quanto tempo – e dinheiro – gastariam para obter os mesmos resultados sem cirurgia? Mais interessante ainda seria mostrar a diferença – no bolso e no organismo – entre dieta/exercícios e cirurgia.

As revistas femininas mais sérias, que hoje dão uma grande ênfase às dietas e exercícios, no passado costumavam mostrar "antes de depois" em cirurgia plástica, principalmente no começo das lipoaspirações. Elas estão em dívida com suas leitoras e deveriam tentar pagar a conta mostrando que as cirurgias plásticas só funcionam se a pessoa estiver disposta a uma vida de controle. Mas deveriam, mais do que isso, mostrar que o corpo perfeito não é a solução para todos os problemas.

Enquanto as revistas de celebridade, as revistas femininas, os jornais e a TV continuarem fazendo a apologia das top models e das mulheres com corpo perfeito, as mulheres vão continuar atrás de soluções mágicas, mesmo correndo o risco de

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