Chegou a hora!
Depois de cumpridas as etapas das Conferências de Comunicação (municipal, regional e nacional) faremos nesta quinta-feira (18/3), às 16h, na sede da Amat (Associação dos Municípios do Alto Tietê) - Rua Portugal Freixo,nº 106, Centro, em Suzano - a primeira reunião para discutirmos como implementar as propostas definidas nas Confecons.
Muitas outras cidades e regiões do País já retomaram as discussões em torno da Confecom a fim de garantir a continuidade do processo de mobilização. Sabemos que não será fácil conseguirmos avançar na democratização da comunicação no Brasil. Mas é justamente por este motivo que temos de continuar mobilizados e dispostos a retomar o trabalho e o debate com a população.
Sabemos que somente dessa forma é que garantiremos a consolidação de um outro tipo de comunicaçao - uma comunicação que garanta a diversidade, a pluralidade, o contraditório e a participação popular. E que portanto seja verdadeiramente democrática.
Até quinta!
Abaixo seguem as propostas que as Conferências de Suzano e do Alto Tietê conseguiram emplacar na Confecom Paulista. Quatro (as que estão em negrito) também foram incluídas no relatório final da Confecom Nacional:
Propostas de Suzano e Alto Tietê
Incluídas no relatório da Confecom_paulista
1) Conteúdo Nacional
§ Garantir que os meios de comunicação elaborem materiais e instrumentos que respeitem as especificidades da pessoa com deficiência, e campanhas visando a conscientização da população (Suzano, Estadual);- Proposta incluída na íntegra no Relatório Nacional da Confecom – PL 883
§ Implementar programas para crianças e adolescentes nos meios de comunicação que abordem temas culturais, educacionais e sociais, colaborando na formação e aprendizado das crianças e adolescentes (Suzano, Estadual SP);
2) Garantia de distribuição
§ Criar o circuito nacional e regional de exibição de filmes, contos e poesias com o objetivo de diversificar a programação da mídia (Suzano, Estadual SP);
§ Estabelecer metas de 15, 30, 40 e 50% de exibição de filmes nacionais nas salas de cinema do Brasil num prazo máximo de oito anos a partir da implementação da lei.
3) Incentivos
§ Incentivar a produção das rádios e tvs comunitárias, da mídia impressa, dos pontos de mídia livre e dos pontos de cultura por parte dos estudantes e a comunidade em geral (Suzano, Estadual)
4) Marco legal e regulatório
§ Incluir no artigo 221 da Constituição, a preservação ambiental como finalidade da comunicação (Suzano, Estadual, SP)
§ Regulamentação do artigo 220, parágrafo 5º da Constituição, que proíbe monopólios e oligopólios, de forma coibir a concentração horizontal, vertical e cruzada, garantindo a transparência em relação aos proprietários dos meios (geradoras e retransmissoras), que devem ser divulgadas amplamente e de forma acessível à população – e estabelecer cotas de produção local pra as retransmissoras (Suzano em conjunto com diversas cidades)
5) Fiscalização
§ Suspender todas as concessões de radiodifusão, sejam elas estatais, privadas ou comunitárias, até que se cumpram os dispositivos previstos na Constituição Federal, e que se estabeleçam novos marcos regulatórios, por meio do controle social, a partir da representatividade dos conselhos de comunicação em todos os níveis (Suzano e Alto Tietê)
§ Criar espaço para denúncia e fiscalização e acompanhamento com relação à falta de contemplação de direitos (Suzano)
6) Órgãos reguladores
§ Reservar percentual de horáro de TVs e rádios para uso público como critério de concessão (Suzano)
7) Rádios e TVs comunitárias
§ Alterar a legislação das rádios comunitárias (Lei 9612/98, que institui o Serviço de Radiodifusão Comunitária) de forma a aumentar a sua abrangência e garantir a sua sustentabilidade. (Alto Tietê).
§ Legalizar as rádios comunitárias (Suzano)
§ Reparação e anistia para os comunicadores processados e/ou punidos por operarem rádios comunitárias sem outorga. Devolução dos equipamentos apreendidos (Alto Tietê).
§ Fim da criminnalização das rádios comunitárias e dos comunicadores populares, com a revogação da legislação que considera crime a operação de emissoras sem a autorização. (Alto Tietê)
§ Fortalecer os instrumentos de comunicação popular como, por exemplo, jornais, rádios, tvs comunitárias e fanzines (Alto Tietê).
§ Municipalização a concessão de rádios e televisões comunitárias, com indicação e fiscalização do Conselho Municipal de Comunicação Social (Cubatão, Guarulhos, Suzano e Baixada Santista); Utilizar como referência o projeto de lei 145/01 que propõe a municipalização da regulamentação das rádios comunitárias.
8) Telecomunicações
§ Re-estatizar o sistema de telefonia (Alto Tietê).
§ Criar um sistema nacional de telecomunicações sem subordinação a outros modelos (Suzano)
9) Financiamento
§ Incluir no programa Pró-Mídia do BNDES o financiamento para a mídia alternativa (Suzano)
10) Publicidade
§ Definição de critérios de publicidade oficial que considerem a diversidade regional, étnica, racial, de gênero e de opiniões políticas com reserva de, no mínimo, 20% das verbas para a comunicação pública, privada sem fins lucrativos e para as pequenas empresas privadas de mídia (mídia alternativa); o respeito integral aos direitos humanos deve ser condição para a alocação destas verbas em qualquer meio de comunicação. A distribuição dos recursos oficial que não deve ser guiada apenas pelos indicadores da circulação e audiência (Alto Tietê em conjunto com outras confecons no Estado);
11) Infraestrutura
§ Reaproveitar equipamentos obsoletos de empresas privadas com incentivo fiscal (Suzano);
12) Participação social na Comunicação
§ Articular em parceria com o Conselho Nacional da Juventude, de modo a pressionar o governo brasileiro, para dar mais representatividade aos jovens em eventos voltados para a comunicação (Suzano e Juventude) – proposta incluída na íntegra no Relatório da Confecom Nacional – PL 399
§ Criar instrumentos informativos, por meio de conselhos, que garantam acesso e conhecimento de programas e serviços públicos;
§ Conselho deve existir em todas as instâncias (municipal, estadual e federal). Garantir a institucionalização do Conselho, garantindo recursos públicos para a participação dos seus representantes. Que os conselheiros não recebam “jeton”. Como forma de agilizar a formação dos conselhos municipais e estaduais, nos moldes do Conselho Nacional de Comunicação proposto, propor iniciativas parlamentares do mesmo gênero nas Câmaras Municipais e Assembléias Legislativas. A presidência do Conselho deve ser designada pelos próprios conselheiros.
13) Desenvolvimento sustentável
§ Garantir na mídia programas voltados para o consumo consciente e o desenvolvimento sustentável;
14) Direito à Comunicação
§ Incentivar os pais e responsáveis à formação digital gratuita nos centros culturais e telecentros e divulgar programas livres de monitoramento preventivo.
15) Educação para Mídia
§ Criar círculo de leitura nas escolas públicas com veículos alternativos e que o poder executivo faça assinaturas de veículos alternativos para disponibilizar nas bibliotecas (Suzano);
§ Fomentar a comunicação crítica (Constituição e Legislação) nas escolas e investir em formação para educadores/as por meio da produção coletiva de cartilhas, livros, palestras, debates, boletins, vídeos, internet e outros meios de comunicação (Suzano).
§ Criar a Casa da Comunicação (municipal, regional e nacional) integrada aos Pontos de Cultura, com a implementação de oficinas de formação em comunicação em espaços públicos descentralizados (Suzano) – incluída na íntegra no Relatório Nacional – PL 223 – página 215;
§ Garantir, por meios de política pública, em todas as escolas públicas de ensino fundamental e médio e em universidades, a existência de núcleos de comunicação (Suzano).
§ Reforçar e apoiar propostas já existentes de educação para comunicação.
16) Respeito e Promoção da Diversidade Social
§ Criar mecanismos de incentivos á veiculação de conteúdos sobre a cultura afrobrasileira, direito das mulheres e diversidade social (Suzano)
§ Criar ouvidoria com registros, relatórios e publicações das reclamações e sugestões feitas pela população usuária dos meios de comunicação com respeito à promoção da diversidade cultural, religiosa , étnico-racial (Suzano).
§ Garantir espaço na mídia pra a divulgação de produtos da economia solidária;
§ Criar peças publicitárias com informações sobre direitos dos segmentos: idosos, mulheres, pessoas com deficiência, em parceria com o Poder Público e a sociedade civil organizada – incluída na íntegra no relatório da Confecom Nacional – PL 783- pág 164.
§ Garantir espaço obrigatório nos veículos de comunicação para informação dos direitos dos segmentos que compõem a diversidade (idosos, pessoas com deficiência. (Suzano)
§ Garantir espaço de veiculação de informações por meio sonoro e visual para pessoas com deficiências diversas, em locais de uso coletivo (Suzano).
18) Proteção a segmentos vulneráveis como crianças e adolescentes
§ Proibir a propaganda de produtos vinculados a pessoas famosas (Suzano)
§ Garantir o veto na mídia a produtos prejudiciais à saúde.
19) Classificação indicativa
§ Criar canais junto aos órgãos reguladores para denúncias e sugestões sobre a classificação de faixas etárias para as programações e conteúdos (Suzano)
O Blog Confecom-Suzano é resultado da 1ª Confecom (Conferência Municipal de Comunicação) e da 1ª Comunica Alto Tietê. É um espaço de debate sobre Comunicação e assuntos de interesse público.
terça-feira, 16 de março de 2010
segunda-feira, 8 de março de 2010
Brasil de Fato 03/03/2010 Dafne Melo, da Redação
A partir do dia 8 de março, centenas de mulheres começam a marchar de Campinas (99 km de SP) a capital paulista, em uma mobilização que pretende durar dez dias. Para muitas, porém, a caminhada já começou. "Já estamos em marcha, organizando as caravanas dos Estados e toda a infraestrutura",
explica Sônia Coelho, da Sempreviva Organização Feminista (SOF).
A mobilização faz parte da 3º Ação Internacional da Marcha Mundial de Mulheres, organização que aglutina movimentos feministas nos cinco continentes. No Brasil, diversos movimentos sociais e organizações se juntam à ação, como o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), a Central
Única dos Trabalhadores (CUT), a União Nacional dos Estudantes (UNE), o Movimento de Mulheres Camponesas (MMC), a Articulação do Semi-Árido (ASA) e Consulta Popular, dentro outros. O evento tem caráter nacional e conta com a participação de mulheres de todos os Estados brasileiros.
Sônia explica que além de pautar as reivindicações das mulheres, a marcha pretende ser um momento de formação para as militantes. A caminhada acontecerá sempre pelas manhãs e pela tarde serão organizados debates e painéis com temas relativos às lutas mais urgentes do movimento feminista.
Pautas
Dar visibilidade social às pautas feministas e articular movimentos de mulheres de diferentes naturezas em torno de uma plataforma de luta comum são dois dos principais objetivos da marcha, além da criação de espaços de formação politica. A plataforma de luta está centrada em quatro grandes temas: autonomia econômica das mulheres, luta contra violência sexista, luta contra privatização da natureza e dos serviços públicos e paz e desmilitarização.
De acordo com Tatau Godinho, militante da Marcha Mundial de Mulheres (MMM), os debates e articulações em torno dos temas serão ricos justamente por colocar em um mesmo espaço a perspectiva que mulheres de diferentes setores - estudantil, rural, sindical, do movimento negro, etc -
têm sobre esses temas.
De acordo com Sônia Coelho, as discussões feitas ao longo dos 10 dias devem ser sistematizadas em um texto que deverá ser entregues para os governos federal, estaduais e municipais. "Queremos detalhar essas reivindicações no processo da marcha", aponta Sônia.
A organização espera que pelo menos 2 mil mulheres marchem durante os 10 dias. Toda a estrutura, desde a montagem e desmontagem de barracas, cozinha, organização dos debates será elaborada somente por mulheres.
Auto-organização
Tatau Godinho, militante da MMM, explica que o espaço de formação não se dá apenas nos debates, mas também no próprio processo de auto-organização das mulheres na construção da marcha. "A existência de um movimento de mulheres forte depende de nossa capacidade de auto-organização, por isso a
importância de realizar uma marcha dessa magnitude. Temos dito às companheiras que ainda não sabem se poderão marchar o quanto essa experiência é insubstituível". Sônia Coelho, da SOF, agrega que o momento
também é propício para gerar solidariedade entre as companheiras de diferentes movimentos.
A presença masculina não é proibida durante a marcha, mas a infra-estrutura - alimentação, banheiros, barracas, transporte de bagagem, etc - será oferecida somente às mulheres. "A presença dos companheiros é muito bem vinda nos atos de lançamento e de chegada que vamos organizar", diz Sônia.
"Mas precisamos nos fortalecer entre nós mesmas para enfrentar as desigualdades de gênero que existem na sociedade e que se reproduzem dentro das organizações de diversas formas", finaliza.
África
A 3º Ação Internacional da MMM acontecerá durante todo o ano, mas se concentrará em dois meses: março e outubro. Nesse primeiro mês serão feitas mobilizações nacionais simultâneas. Em outubro, uma ação internacional reunirá militantes de diversos países na República Democrática do Congo, na
região da província de Sud-Kivu, que se centrará na questão da paz e desmilitarização, denunciando a situação a que estão submetidas as mulheres nessa região, onde a violência contra as elas têm sido usada como arma de guerra. "Calcula-se que 70% das mulheres e adolescentes dessa região já
tenham sofrido violência sexual", protesta Sônia Coelho.
Em agosto, na Colômbia, um encontro contra a guerra e pela paz pretende reunir lutadoras de todo continente para discutir a militarização. Na Europa, o encontro ocorrerá em junho, na Turquia, e na Ásia o local escolhido foi Filipinas, onde os debates ficarão em torno da luta contra o livre comércio, instalação de bases militares e tráfico de mulheres.
Leia mais:
Comemoração do Dia Internacional da Mulher completa 100 anos
Escolha do 8 de março está ligada à mobilizações de mulheres na Revolução de
Fevereiro de 1917, na Rússia
03/03/2010
Dafne Melo, da Redação
Por muito tempo acreditou-se que a escolha do 8 de março para ser o Dia
Internacional das Mulheres foi devido à um incêndio em uma fábrica têxtil
nos Estados Unidos que vitimou cerca de 150 trabalhadoras que organizavam
uma greve contra às más condições de trabalho. Até mesmo militantes do
movimento feminista aceitavam essa explicação. Desde a década de 1970,
entretanto, novas pesquisas nessa área têm apontado que a escolha da data
está ligada à história da Revolução Russa. "De fato houve esse incêndio nos
EUA, um acontecimento trágico para o movimento sindical e feminista na
época, mas o incêndio sequer teria ocorrido nessa data", explica Tatau
Godinho, militante da Marcha Mundial de Mulheres.
Ela explica que hoje se tem comprovado pelos documentos que a orientação
para se realizar as comemorações e manifestações internacionais se deu em
1910, numa resolução da Segunda Conferência Internacional das Mulheres
Socialistas, na Rússia, e que não havia uma indicação de data fixa para a
comemoração. A reivindicação central seria o direito ao voto para as
mulheres. Até a década de 1920 do século passado, as feministas realizaram
as lutas em diferentes datas em seus países. Somente em 1922, após a
Conferência Internacional das Mulheres Comunistas é que foi sugerida a data
do 8 de março.
Revolução russa
No antigo calendário ortodoxo russo, o 8 de março corresponde ao 23 de
fevereiro, data que marca o início da primeira fase da Revolução Russa, na
qual o czar Nicolau II renunciou ao poder e a Rússia adotou um regime
republicano. "As mulheres tiveram um peso muito grande nas mobilizações de
fevereiro. Há registros de uma grande greve coordenada pelas operárias do
setor têxtil que teria iniciado essas agitações; elas pediam o fim da
participação da Rússia na I Guerra Mundial, a volta dos militares para suas
casas, e pão", explica Tatau. Essas mobilizações estavam, inseridas dentro
das comemorações do Dia da Mulher e se davam em um momento em que o país
estava mergulhado em uma crise política e era seriamente atingido pela fome.
Alguns dos líderes da revolução fazem referência direta ao fato em seus
textos. "O dia das trabalhadoras em 8 de março de 1917 foi uma data
memorável na história (...) A Revolução de fevereiro começou nesse dia",
escreveu a dirigente feminista Alexandra Kollontai. Leon Trotski, na obra
"História da Revolução Russa", comenta que ninguém poderia prever que o Dia
da Mulher pudesse inaugurar a revolução, desencadeando uma greve de massas.
Resgate
Para Tatau Godinho, resgatar a verdadeira origem do 8 de março é importante
por inúmeros motivos. Primeiro, mostra como a luta das mulheres pode e deve
caminhar junto com a luta por transformações sociais mais profundas.
Segundo, resgata a data como um momento de luta e organização das mulheres
socialistas, devolvendo à comemoração seu conteúdo político. Também por
esses motivos não é difícil imaginar porque a memória histórica hegemônica
aceitou e propagandeou a versão do incêndio da fábrica têxtil nos EUA, e
escondeu sua origem socialista. "Há um esforço de institucionalização e
comercialização da data que coincide com um certo refluxo do movimento de
mulheres socialistas, o que começa a se reverter na década de 1970, quando
se começa a surgir o interesse na verdadeira origem da escolha da data",
finaliza Tatau.
A partir do dia 8 de março, centenas de mulheres começam a marchar de Campinas (99 km de SP) a capital paulista, em uma mobilização que pretende durar dez dias. Para muitas, porém, a caminhada já começou. "Já estamos em marcha, organizando as caravanas dos Estados e toda a infraestrutura",
explica Sônia Coelho, da Sempreviva Organização Feminista (SOF).
A mobilização faz parte da 3º Ação Internacional da Marcha Mundial de Mulheres, organização que aglutina movimentos feministas nos cinco continentes. No Brasil, diversos movimentos sociais e organizações se juntam à ação, como o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), a Central
Única dos Trabalhadores (CUT), a União Nacional dos Estudantes (UNE), o Movimento de Mulheres Camponesas (MMC), a Articulação do Semi-Árido (ASA) e Consulta Popular, dentro outros. O evento tem caráter nacional e conta com a participação de mulheres de todos os Estados brasileiros.
Sônia explica que além de pautar as reivindicações das mulheres, a marcha pretende ser um momento de formação para as militantes. A caminhada acontecerá sempre pelas manhãs e pela tarde serão organizados debates e painéis com temas relativos às lutas mais urgentes do movimento feminista.
Pautas
Dar visibilidade social às pautas feministas e articular movimentos de mulheres de diferentes naturezas em torno de uma plataforma de luta comum são dois dos principais objetivos da marcha, além da criação de espaços de formação politica. A plataforma de luta está centrada em quatro grandes temas: autonomia econômica das mulheres, luta contra violência sexista, luta contra privatização da natureza e dos serviços públicos e paz e desmilitarização.
De acordo com Tatau Godinho, militante da Marcha Mundial de Mulheres (MMM), os debates e articulações em torno dos temas serão ricos justamente por colocar em um mesmo espaço a perspectiva que mulheres de diferentes setores - estudantil, rural, sindical, do movimento negro, etc -
têm sobre esses temas.
De acordo com Sônia Coelho, as discussões feitas ao longo dos 10 dias devem ser sistematizadas em um texto que deverá ser entregues para os governos federal, estaduais e municipais. "Queremos detalhar essas reivindicações no processo da marcha", aponta Sônia.
A organização espera que pelo menos 2 mil mulheres marchem durante os 10 dias. Toda a estrutura, desde a montagem e desmontagem de barracas, cozinha, organização dos debates será elaborada somente por mulheres.
Auto-organização
Tatau Godinho, militante da MMM, explica que o espaço de formação não se dá apenas nos debates, mas também no próprio processo de auto-organização das mulheres na construção da marcha. "A existência de um movimento de mulheres forte depende de nossa capacidade de auto-organização, por isso a
importância de realizar uma marcha dessa magnitude. Temos dito às companheiras que ainda não sabem se poderão marchar o quanto essa experiência é insubstituível". Sônia Coelho, da SOF, agrega que o momento
também é propício para gerar solidariedade entre as companheiras de diferentes movimentos.
A presença masculina não é proibida durante a marcha, mas a infra-estrutura - alimentação, banheiros, barracas, transporte de bagagem, etc - será oferecida somente às mulheres. "A presença dos companheiros é muito bem vinda nos atos de lançamento e de chegada que vamos organizar", diz Sônia.
"Mas precisamos nos fortalecer entre nós mesmas para enfrentar as desigualdades de gênero que existem na sociedade e que se reproduzem dentro das organizações de diversas formas", finaliza.
África
A 3º Ação Internacional da MMM acontecerá durante todo o ano, mas se concentrará em dois meses: março e outubro. Nesse primeiro mês serão feitas mobilizações nacionais simultâneas. Em outubro, uma ação internacional reunirá militantes de diversos países na República Democrática do Congo, na
região da província de Sud-Kivu, que se centrará na questão da paz e desmilitarização, denunciando a situação a que estão submetidas as mulheres nessa região, onde a violência contra as elas têm sido usada como arma de guerra. "Calcula-se que 70% das mulheres e adolescentes dessa região já
tenham sofrido violência sexual", protesta Sônia Coelho.
Em agosto, na Colômbia, um encontro contra a guerra e pela paz pretende reunir lutadoras de todo continente para discutir a militarização. Na Europa, o encontro ocorrerá em junho, na Turquia, e na Ásia o local escolhido foi Filipinas, onde os debates ficarão em torno da luta contra o livre comércio, instalação de bases militares e tráfico de mulheres.
Leia mais:
Comemoração do Dia Internacional da Mulher completa 100 anos
Escolha do 8 de março está ligada à mobilizações de mulheres na Revolução de
Fevereiro de 1917, na Rússia
03/03/2010
Dafne Melo, da Redação
Por muito tempo acreditou-se que a escolha do 8 de março para ser o Dia
Internacional das Mulheres foi devido à um incêndio em uma fábrica têxtil
nos Estados Unidos que vitimou cerca de 150 trabalhadoras que organizavam
uma greve contra às más condições de trabalho. Até mesmo militantes do
movimento feminista aceitavam essa explicação. Desde a década de 1970,
entretanto, novas pesquisas nessa área têm apontado que a escolha da data
está ligada à história da Revolução Russa. "De fato houve esse incêndio nos
EUA, um acontecimento trágico para o movimento sindical e feminista na
época, mas o incêndio sequer teria ocorrido nessa data", explica Tatau
Godinho, militante da Marcha Mundial de Mulheres.
Ela explica que hoje se tem comprovado pelos documentos que a orientação
para se realizar as comemorações e manifestações internacionais se deu em
1910, numa resolução da Segunda Conferência Internacional das Mulheres
Socialistas, na Rússia, e que não havia uma indicação de data fixa para a
comemoração. A reivindicação central seria o direito ao voto para as
mulheres. Até a década de 1920 do século passado, as feministas realizaram
as lutas em diferentes datas em seus países. Somente em 1922, após a
Conferência Internacional das Mulheres Comunistas é que foi sugerida a data
do 8 de março.
Revolução russa
No antigo calendário ortodoxo russo, o 8 de março corresponde ao 23 de
fevereiro, data que marca o início da primeira fase da Revolução Russa, na
qual o czar Nicolau II renunciou ao poder e a Rússia adotou um regime
republicano. "As mulheres tiveram um peso muito grande nas mobilizações de
fevereiro. Há registros de uma grande greve coordenada pelas operárias do
setor têxtil que teria iniciado essas agitações; elas pediam o fim da
participação da Rússia na I Guerra Mundial, a volta dos militares para suas
casas, e pão", explica Tatau. Essas mobilizações estavam, inseridas dentro
das comemorações do Dia da Mulher e se davam em um momento em que o país
estava mergulhado em uma crise política e era seriamente atingido pela fome.
Alguns dos líderes da revolução fazem referência direta ao fato em seus
textos. "O dia das trabalhadoras em 8 de março de 1917 foi uma data
memorável na história (...) A Revolução de fevereiro começou nesse dia",
escreveu a dirigente feminista Alexandra Kollontai. Leon Trotski, na obra
"História da Revolução Russa", comenta que ninguém poderia prever que o Dia
da Mulher pudesse inaugurar a revolução, desencadeando uma greve de massas.
Resgate
Para Tatau Godinho, resgatar a verdadeira origem do 8 de março é importante
por inúmeros motivos. Primeiro, mostra como a luta das mulheres pode e deve
caminhar junto com a luta por transformações sociais mais profundas.
Segundo, resgata a data como um momento de luta e organização das mulheres
socialistas, devolvendo à comemoração seu conteúdo político. Também por
esses motivos não é difícil imaginar porque a memória histórica hegemônica
aceitou e propagandeou a versão do incêndio da fábrica têxtil nos EUA, e
escondeu sua origem socialista. "Há um esforço de institucionalização e
comercialização da data que coincide com um certo refluxo do movimento de
mulheres socialistas, o que começa a se reverter na década de 1970, quando
se começa a surgir o interesse na verdadeira origem da escolha da data",
finaliza Tatau.
domingo, 7 de março de 2010
Novo blog no ar
Está no ar há alguns dias o Análise Crítica. Um blog que pretende lançar um olhar perspicaz e inteligente sobre a realidade regional e nacional.
Acompanhe este blog: wwwanalisecritica.blogspot.com (sem ponto mesmo depois do www).
E também participe, mandando seus textos para serem publicados.
É isso, mais um espaço para a comunicação livre.
Confira!!!
Acompanhe este blog: wwwanalisecritica.blogspot.com (sem ponto mesmo depois do www).
E também participe, mandando seus textos para serem publicados.
É isso, mais um espaço para a comunicação livre.
Confira!!!
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